É comum creditar o sucesso de uma empresa à existência de um Líder carismático na sua direção. Um grande número de pessoas chega a afirmar que, sem ele, nada seria feito. Não percebem que, por trás e ao lado desse Líder que reluz, existe uma equipe que muitas vezes se passa por invisível. São os chamados colaboradores anônimos. Como soldados desconhecidos, ao fim da guerra só são lembrados quando morrem.

Um líder de verdade consegue reverter situações assim promovendo e cultivando a individualidade de seus colaboradores, de modo a criar um ambiente de autoconfiança e integração, onde as pessoas se sentem confortáveis para darem o melhor de si, que é o que leva a empresa ao sucesso.

Quando uma pessoa é colocada diante de um desafio, e recebe o apoio da Liderança, através de perguntas, e não de respostas prontas, ela aprimora suas habilidades, aumenta a autoconfiança e se compromete com as atividades em que teve oportunidade de participar nas decisões. Está demonstrado que Liderança não é um cargo para o qual somos nomeados, mas sim uma postura comportamental que se expressa através de atitudes que encorajam os que com o Líder trabalham. Listamos a seguir algumas condutas que ajudam a favorecer que as boas ideias surjam naturalmente, a partir de todos aqueles que compõem uma equipe de sucesso.

Ambiente de confiança: mais que apresentar ideias mirabolantes a pretexto de estímulo, cabe a um Líder de sucesso criar um ambiente de confiança entre seus colaboradores, levando-os assim a desenvolver o melhor de seus talentos, com entrega e vitalidade. Colaboradores encorajados e confiantes tendem a se comunicar com mais eficácia e assertividade, o que favorece a todos.

Aceitação de ideias: o ambiente também deve ser propício à recepção de ideias novas. Mesmo que elas não sejam as melhores (e comumente só saberemos após implementá-las), merecem ser ouvidas com atenção e respeito. Dessa forma é que os colaboradores são incentivados a colocá-las em prática, quando aceitas. Contando com o apoio do seu Líder e com os recursos necessários, podem ampliar o exercício de sua autonomia, além do senso de comprometimento com a organização.

Motivação: por mais que soe como um lugar-comum, vale lembrar que humanos são diferentes de máquinas: só se ligam verdadeiramente em alguma coisa se ela fizer sentido. Ou seja, carecemos de um propósito de vida, algo que seja uma razão de ser, de agir, de sentir, de fazer. Ajudar a cada um a descobrir qual é o seu propósito, conduzindo-o nessa descoberta, para então desenvolvê-lo, pode ser um importante investimento de lideranças e organizações no seu capital humano. Sem razão de fazer, como se engajar? É necessário que os colaboradores sejam ouvidos com atenção para que, assim, sejam levados a caminhar na direção dos seus sonhos e da sua realização pessoal.

Integração: quando somos admitidos numa organização, normalmente somos direcionados às áreas que têm mais afinidade com nossa especialização. E aí é comum que, sem perceber, comecemos a formar igrejinhas, fragmentando nossas ações, limitando áreas de conhecimento, restringindo os contatos interpessoais, e, finalmente, reduzindo nossas possibilidades de crescimento e de trocas de aprendizado. Por isso, é preciso estar atento à quebra desse ciclo limitante também quando falamos sobre os colaboradores. Uma forma de promover a integração é periodicamente reunir todos num auditório para que cada área possa contar para as demais quais são suas realizações, desafios e conquistas, destacando como trabalha para o todo e o que espera receber das outras.

Aprendizagem em tudo: quando um Líder convida alguém para ir à sua sala, geralmente não passa pela cabeça do convidado que ele está sendo chamado para saber que foi promovido. Somos cada vez mais induzidos a trabalhar sem erro, o que nos leva a reduzir dia a dia nossas iniciativas. Há jovens, criados na era digital, que não acreditam em erro, mas em ter feito alguma coisa que não deu certo. E continuam a trabalhar sem reflexão (culpa?), confiando que, assim como nos jogos virtuais, é certo que sempre se tem mais uma vida. De um lado, cabe à Liderança fazer convergir essa ousadia com o incentivo à análise, em que o que conta não é valorizar o erro como fonte de culpa, mas avaliar as responsabilidades para que, em conjunto, possam afinar a orquestra. E, para isso, é importante que seus componentes estejam igualmente em harmonia com seus instrumentos. Igualmente importante é que os colaboradores aceitem-se mutuamente, reconhecendo que uns têm maior ou menor habilidade para determinadas tarefas, mas conservando acima disso o clima de cooperação, e não de competição entre si.

Respeito: mais valioso que ser respeitado por suas habilidades técnicas é ser respeitado pelo ser humano que é. Assim, nem é preciso gostar das pessoas com quem trabalhamos, mas precisamos respeitá-las. Um ambiente democrático pressupõe mais do que igualdade de tratamento, mas, sobretudo, respeito às diferenças, que engrandecem equipes e organizações.

Participação: os colaboradores, independentemente de suas funções hierárquicas, devem ser levados a tomar conhecimento das iniciativas de seus Líderes, pois podem ter a chance de contribuir com novas ideias. Num consenso, há ordens e normas que chegam a se fazer dispensáveis, dada a naturalidade e alto grau de comprometimento e autonomia de cada um na execução de um todo. No brilhantismo de um desfile de uma escola de samba, por exemplo, samba-enredo escolhido e ensaiado, definidas as fantasias das alas, ordem e tempo de cada uma desfilar, tem-se que acompanhamento e controle tornam-se funções muito mais leves, pois cada um sabe, animadamente, o que fazer.

Informação: num ambiente de confiança plena, as informações fluem livremente. Isso permite mais rapidez nas ações e maior segurança nas tomadas de decisões. Ressalvadas situações legais ou estratégicas, informações confidenciais nos indicam que certas pessoas estão excluídas daquele processo por não serem confiáveis. Como quem não se sente confiável se sentirá à vontade para trabalhar naquele ambiente?

Essas provocações se apresentam como proposta para refletirmos sobre a importância da qualificação de todos os membros de uma equipe que, apesar de muitas vezes permanecer discreta nos bastidores, sem ela o show certamente não acontece. Tão importante como os programas e treinamentos traçados pela área de Desenvolvimento Pessoal de uma organização para as suas Lideranças é a extensão de outros programas aos vários colaboradores anônimos que a fazem se destacar. Afinal, são ações que se complementam e permitem que o trabalho de um Líder se perfaça com mais sinergia e cooperação.

O papel do Líder é fundamental para ajudar a criar esse ambiente, mas o RH deve se empenhar continuamente para aumentar a autoestima dos colaboradores, promovendo situações em que eles possam demonstrar suas competências e habilidades. Os efeitos serão certamente de mais motivação.

Uma equipe feita somente de chefes não vai à frente, mas uma equipe composta só de colaboradores, mesmo num caos inicial, é mais capaz de conseguir se auto-organizar, assim como um formigueiro e uma colmeia que, destruídos, são reconstruídos em pouco tempo.

Este artigo foi extraído do site www.abtd.com.br / Por: José Augusto Neves

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